Teoria Topográfica

Consciente, Pré Consciente e Inconsciente

1. O início

Nascido em 1856, Sigmund Freud aos 17 anos iniciou a sua formação médica em Viena, onde se destacou como um aluno e estagiário brilhante.

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Sigmund Freud

Anos depois, já atuando no ramo da medicina e, adentrando em estudos cerebrais, Freud ouve falar de um neurologista chamado Charcot que professava na famosa Salpetriére, em Paris. Charcot utilizava a hipnose como medida no tratamento da histeria em seus pacientes. Muito interessado, Freud consegue uma bolsa para acompanhar de perto o tão conhecido neurologista. Após acompanhar de perto o método e as teorias, apoiado por Charcot e Breuer, Freud resolveu empregar o método do hipnotismo com as suas pacientes histéricas, partindo do princípio de que a neurose provinha de traumas sexuais que teriam acontecido na infância por sedução de homens mais velhos, mais precisamente os próprios pais. Porém, ainda muito cedo, Freud deu-se conta de que era um mau hipnotizador e resolve experimentar a possibilidade de que a “livre associação de ideias”, conseguida pelo hipnotismo, também pudesse ser obtida com as pacientes despertas. Graças à paciente Elisabeth Von R. que repreendeu Freud para que deixasse de importuná-la porque segundo ela, sem pressão associaria melhor, é que ele ficou convencido de que as barreiras contra o recordar e associar provinham de forças mais profundas, inconscientes, e que funcionavam como verdadeiras resistências involuntárias.

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Josef Breuer

Isto se constituiu como uma marcante ruptura da ciência, visto que Freud começou a cogitar que essas resistências correspondiam a repressões daquilo que era proibido de ser lembrado, não só dos traumas sexuais realmente acontecidos, mas também daqueles que foram fruto de fantasias reprimidas.Alguns anos mais tarde, após alguns aprimoramentos e, tendo Freud dado vida a teoria do trauma (criado como sendo a manifestação psicológica do instinto sexual, recebendo sua origem na tentativa de explicar fenômenos, tais como os da histeria), surge por meio do próprio, com a necessidade de desfazer as repressões, dois elementos essenciais à teoria e à técnica da psicanálise: a descoberta das resistências inconscientes e o uso das interpretações por parte do psicanalista.

2. Teoria Topográfica

A teoria anterior perdurou até 1897, quando então Freud deu-se conta de que a teoria do trauma era insuficiente para explicar tudo, e que os relatos das suas pacientes histéricas não traduziam a verdade factual, mas sim que eles estavam contaminados com as fantasias inconscientes que provinham de seus desejos proibidos e ocultos. Foi então que Freud propôs a divisão da mente em três “lugares” (a palavra “lugar”, em grego, é “topos”, daí teoria topográfica). A estes diferentes lugares ele denominou: Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente, sendo que o paradigma técnico passou a ser: “tornar consciente o que estiver no inconsciente”.

ICEBERG

  • Consciente

O sistema consciente tem a função de receber informações provenientes das excitações oriundo do exterior e do interior, que ficam registradas qualitativamente de acordo com o prazer e/ ou, desprazer que elas causam, porém ele não retém esses registros e representações como depósito ou arquivo deles. Segundo Freud, o consciente é somente uma pequena parte da mente, incluindo tudo do que estamos cientes num dado momento. O interesse de Freud era muito maior com relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, que ele denominava Pré-Consciente e Inconsciente.

Na porção Consciente da topografia psíquica, estão presentes dois dos três elementos do aparelho psíquico. O primeiro deles é o Ego, tendo à função de trazer o equilíbrio entre ID e Superego. Responsável também pelo desenvolvimento do controle motor, a percepção sensorial, responsável pela ligação direta com o mundo interno/externo e criação dos mecanismos de defesa contra as exigências extremistas do ID e Superego. Por ter sido desenvolvido através do ID, possui ligações com o inconsciente, porém, sua maior atividade está no consciente e pré-consciente. O segundo trata-se do Superego representando a moralidade. O superego forma-se após o ego, durante o esforço da criança de introjetar os valores recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. É o herdeiro do conflito edípico, sendo a lei, as imposições, censuras e proibições. Assim como o ID o Superego também possui suas raízes no inconsciente (mesmo que também tenha influências no Cs. E Pcs.) e age de forma impulsiva.

  • Pré-Consciente

Popularmente conhecido como subconsciente, o Pré-Consciente é uma parte do Inconsciente que pode tornar-se consciente com facilidade. As porções da memória que nos são facilmente acessíveis fazem parte do Pré-Consciente. Estas podem incluir lembranças de ontem, o segundo nome, as ruas onde moramos, certas datas comemorativas, nossos alimentos prediletos, o cheiro de certos perfumes e uma grande quantidade de outras experiências passadas. Trabalha também como uma peneira que seleciona aquilo que pode, ou não, passar para o Consciente. Estão presentes também no Pré-Consciente as influências do Ego e Superego.

  • Inconsciente

Chega-se então àquele apontado como o conceito fundamental da psicanálise. Em seu Vocabulário da psicanálise, Jean Laplanche e Pontalis afirmam que, “se fosse preciso concentrar numa palavra a descoberta freudiana, essa palavra seria incontestavelmente a de inconsciente”.

Esse sistema designa a parte mais arcaica do aparelho psíquico, onde, por meio de uma herança genética, existem pulsões (quando essas nunca emergem nos sistemas consciente e pré-consciente, elas são consideradas como “repressões primá- rias”), acrescidas das respectivas energias e com “protofantasias” (como Freud as denominava, mas que também são conhecidas por “fantasias primitivas, primárias ou originais”). Além disso, o inconsciente também consiste num depósito de repressões secundárias, as quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente (como nos sonhos ou sintomas) e voltam a ser reprimidas para o Inconsciente.

No inconsciente, estão presentes os três elementos do aparelho psíquico, porém, com maior atividade e influência de um deles, o ID. Este atua como reservatório de energia psíquica (libido). É regido pelo princípio do prazer. É também o primeiro dos três elementos a se desenvolver e também o colaborador para o desenvolvimento dos outros dois (Ego e Superego).

 

Referências Bibliográficas

Zimerman, David E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, técnica e clínica. Porto Alegre, Artmed Editora, 1999.

Garcia, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente – 23ª edição. Rio de Janeiro, Zahar Editora, 1994.

Ballone GJ – Transtornos da Personalidade, PsiqWeb, internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br, revisto em 2005. (PDF: http://www.cordelaranja.com/Sigmund_Freud.pdf)

Pisicanalista, Consciente, Incosciente e Sistemas de defesa, disponível em: http://www.psicanalista.com.br/component/content/article/29-terapia-holistica/72-consciente-inconsciente

Maxwell, A teoria freudiana do trauma, disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/13362/13362_3.PDF

Psicologia Nova, Primeira Tópica: modelo topológico da mente, disponível em: http://www.psicologianova.com.br/primeira-topica-de-freud/

Psiqweb, Sigmund Freud, disponível em: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=190

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